Quando a tecnologia atrapalha o manejo da dor

dor-e-virtCom o passar dos anos, adotamos procedimentos e/ou condutas cada vez mais modernas em nossa prática diária no atendimento. Isso faz parte da tecnologia para auxiliar os profissionais, como por exemplo, prontuário eletrônico, evolução dos exames de imagem, cadeiras e macas de atendimento, aplicativos, computadores, próteses e por ai vai longe. Porém, quando a tecnologia atrapalha, quem se dá mal é o paciente.

E hoje os smartphones são uma febre. Não existe quase privacidade, usamos em tudo quanto é lugar, inclusive durante o atendimento e/ou durante cirurgias.

Eu uso e tu também usas!

Uma das alunas durante o meu estudo de mestrado, estava ajudando um dos pacientes a realizar um alongamento para “esquentar a batata da perna” na posição de pé. Ela o empurrava para frente para aumentar o alongamento, mas fazia muita força pois o paciente era um cara grande. Apesar das dificuldades, ela não desgrudava os olhos e a mão direita de ser celular, que piscava incessantemente a cada mensagem. Ela/Ele também usa!

Um dos meus pacientes relatou que abandonou sua prática supervisionada de exercícios, de um nome de um cara famoso, aquele que todo mundo conhece e diz que ama, porque sua “professora” não desgrudava os olhos do celular. Ele perguntava se estava certo o exercício e ela respondia (não virtualmente) que se estivesse errado ela iria corrigir. Mas, com os olhos fixados na tela de seu smartphone. Pois é, nós usamos e o bolso dói.

Hoje, só falta caçar pokemon na consulta. Tudo bem, você pode caçar explicações para a dor, mas o “poke nervo” continua sensível, o “poke músculo” continua tenso, a “poke hérnia” continua sendo a eterna culpada e a sua “poke cara de pau” de usar o smartphone durante o atendimento queima seu filme. Ao confessionário: vós usamos.

A interação entre terapeuta e paciente é uma relação construída com confiança, mesmo que seja virtualmente, não há problema. Mas, existe problema sim em dividir o momento do seu paciente com seu mundo virtual. No final das contas, não damos conta de nenhum dos dois. A mão coça e o bolso tende a ficar vazio. Bem feito!

Todos eles usam! Não tem jeito. É difícil competir com a realidade virtual, tendo em vista que você constrói o seu próprio mundo e da forma como você quiser. Mas, o paciente com dor procura você para ajuda-lo a organizar o mundo dele, que está sendo perturbado e as vezes consumido pela dor.

Deixe o smartphone de lado. A boa e velha troca entre o terapeuta e o paciente nunca será superior a uma tela brilhante.

Artur Padão – Dorterapeuta virtual

#dorterapeuta

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