Entra com dor e sai incapacitado

dor e incapacNão é de hoje que o estudo da dor engloba o impacto da dor nas funções diárias das pessoas, sendo esta uma das maiores habilidades dos fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Dor e função andam lado a lado, uma reflete na outra, tendem a melhorar ou piorar “unidas” e assim jamais serão vencidas.

É perfeitamente compreensível e esperado diminuirmos nossas funções diárias como trocar de roupa, trabalhar, dormir, se movimentar e alimentar-se quando estamos com dor. Anormal é isso persistir, com a tendência a piorar ao longo do tempo. Anormal é procurarmos ajuda profissional para o combate a dor e sairmos com mais incapacidade ainda, com restrições e proibições. E com o risco e problemas graves ou lesões incuráveis se não seguir estritamente as “ordens”.

Vários estudos mostram que, quando um paciente com dor procura um profissional de saúde, a tendência é sair da consulta com uma série de limitações em suas atividades, que se refletem em sua rotina diária e, no final das contas, pioram a condição dolorosa do paciente.

Exames de imagem também geram incapacidade:

https://dorterapeuta.wordpress.com/portfolio/como-enxergar-tanta-dor-nos-exames-de-imagem/

https://dorterapeuta.wordpress.com/portfolio/exames-de-imagem-uma-locadora-de-dor/

E fica a dolorosa pergunta: porque isso ocorre?

Um trabalho muito interessante foi feito já há algum tempo com vários cirurgiões de coluna na Inglaterra, que normalmente faziam artrodese lombar, que é a fixação eterna da coluna com parafusos. Os pesquisadores queriam saber o que o cirurgião recomendava ao paciente no pós operatório. E o número de inconsistências era gigante e as recomendações eram baseadas na maioria das vezes em opiniões pessoais e experiências próprias. Longe da ciência isso, que corre com o oposto de informações.

Outro trabalho show de bola foi realizado em povoados que nunca receberam atendimento de profissionais de saúde da era moderna. E quando isso ocorreu, lhes foi sugerido restringir atividades, modificar hábitos e as incapacidades apareceram. Então, dentre estes encontros e desencontros, os profissionais de saúde geram e fortalecem as incapacidades no paciente com dor.

E a ciência? Bem, a ciência diz que o paciente deve ser o mais ativo possível, se manter na rotina e progressivamente ser exposto as situações dolorosas. A ciência também diz que se o primeiro contato com o serviço de saúde for com um fisioterapeuta, o paciente evolui mais rápido e o serviço de saúde economiza. Se passar com o médico primeiro, o paciente roda em diversos serviços, demora a chegar na fisioterapia e o gasto é pelo menos 4 vezes maior. Caído, né?

E porque isso não ocorre na prática? Milhões de motivos culturais, políticos, educacionais, pouco saudáveis e que, no final das contas, quem se dá mal é o paciente = incapacidade e mais dor.

Se o profissional gera incapacidade, deve assumir a “cagada” que está fazendo ao paciente com dor e não colocar na mão de outros profissionais a responsabilidade de solucionar o problema. Lembre-se: gentileza gera gentileza, dor gera mais dor e incapacidade gera mais incapacidade.

Artur Padão – Dorterapeuta

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