Crônicas dolorosas 31: sempre a fisioterapia? 

dor e estresseUma jovem de 30 anos, bancária, que se queixa de dor nos ombros e cervical de longa data, afirma que só sente dor quando está no trabalho e associa sua dor ao estresse. Fora do trabalho não sente nada, mesmo quando está se exercitando e nos fins de semana. Aí a gente pensa: bancário = postura ruim, certo? Que nada. Foi a única no trabalho que modificou ergonomicamente seu posto. E o mais interessante é que todo o seu exame físico e de imagem são perfeitamente normais. Nenhuma incapacidade funcional. Mas, o estresse diário está lá.

Ela sente dor! E como opções de tratamento e cuidados com a saúde, a paciente faz massagem, acupuntura, pilates, treinamento funcional de alta intensidade, usa relaxante muscular “heavy metal” e faz terapia para o manejo do estresse. Nenhum deles com um fisioterapeuta.

Agora, duas perguntas são muito importantes?

1. Como a fisioterapia pode ajudar?

2. Será mais um tratamento necessário?

A fisioterapia sempre pode ajudar no manejo da dor, principalmente quando existem limitações funcionais e restrição na participação de atividades. O fisioterapeuta é o “cara” que “saca” disso. Portanto, a avaliação da fisioterapia é determinante para definir o nível de funções gerais e de atividades, o que não faz parte da rotina da maioria dos profissionais de saúde. Lembrete 1: a paciente não tinha incapacidade.

E o alívio da dor? Bem, opções de tratamento prescritas pelo fisioterapeuta sobram. Lembrete 2: a paciente já faz tratamento para o alívio da dor, só não tem um fisioterapeuta prescrevendo. Então vale a pena investir na fisioterapia? Terá algo a mais para contribuir?

Ficou claro que o problema central não é a dor, mas sim o estresse. Seu ambiente de trabalho liga os alarmes de seu sistema nervoso e a dor vem firme e forte como resposta a isso. Seus músculos são a janela para o que ocorre no sistema nervoso. Sofremos com estresse diários em tudo na vida, a questão é como lidar com isso e reagir melhor. E esse, caros CurtiDores, não é o papel da fisioterapia.

Não há incapacidade funcional, o exame físico é normal, a paciente é ativa e já está em tratamento para o alívio da dor, então não há (pelo menos neste momento) motivo para a paciente se tratar com um fisioterapeuta. Por mais que se encontrem “disfunções” mínimas, tensão muscular, até pontos dolorosos, tudo isso será “enxugar gelo”. Adicionar mais um tratamento provavelmente não mudará o curso da história da paciente. Mamãe natureza é sábia. E acompanhar ao longo do tempo, pode? Ai sim, tem lógica. O mesmo raciocínio funciona para outros profissionais de saúde. E sem churumelas de apertar bolinha anti estresse.

Qual a grande dificuldade disso tudo? Saber se o que você tem a oferecerpode realmente gerar impacto na vida da pessoa. Simplesmente “algo a mais”, não é mesmo suficiente. Saber os limites de sua profissão lhe garante autonomia, segurança e acima de tudo confiança.

A paciente, portanto, não precisa de tratamento fisioterapêutico. Mas, pode ser acompanhada pelo fisioterapeuta. Tratar e acompanhar são situações completamente diferentes.

Enfim, já com o colete a prova de “haters”

Artur Padão – Dorterapeuta

#dorterapeuta

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