Crônicas dolorosas 21: minha crença, minha dor

dor e vidasNão foi a primeira vez que pude ouvir justificativas para as dores devido a algo que ocorreu no passado. Traumas? Brigas? Acidente? Não, não. Vidas passadas.

Talvez, nossa capacidade de compreender as coisas necessite ir além de um mundo vivenciado, de volta ao passado, ou mesmo de volta para o futuro. Muitos acreditam que eventos do passado tem influência ao longo de nossa vida, e refletem nossas atitudes no presente.

Será que um simples elástico nos tornozelos significa tortura e aprisionamento em uma outra vida? Não faço a menor ideia, mas isso provocou uma crise de choro compulsivo em uma paciente. Será que um pescoço e ombro podem doer eternamente pois o cordão umbilical estava enrolado no pescoço e ombro durante o nascimento? Não faço a menor ideia, mas esse é o eterno carma de uma outra paciente.

Na verdade, passado ou não, o que nos guia é o que acreditamos e o que nos dói não necessariamente é visto por fotos da coluna. Se realmente outras explicações sobre a dor forem possíveis, além de modelos meramente técnicos como o biomecânico e o biomédico, de nada servirá um tratamento, apenas para enxugar o gelo ou apagar o incêndio.

A dor, portanto, se torna a própria crença, que passa de uma pessoa para a outra, ou de uma vida passada para uma vida presente, como uma receita de bolo da vovó ou o lenço com álcool no pescoço para resfriados.

“Mas então, porque eu finjo que acredito no que invento?” Se você acredita na dor, então ela existe!

Artur Padão – Dorterapeuta

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