Controle da dor neuropática: não com fisioterapia?

dor e nãoUma das condições mais complexas de controlar e ao mesmo tempo de ter uma boa evolução é na dor neuropática. Vamos dizer que o paciente para ter dor neuropática, tem que preencher uma série de critérios, principalmente ter lesão ou doença comprovada no sistema nervoso e dor que segue ou está numa área neuroanatomica.

Vários estudos são ponto contra e ao mesmo tempo mostram a carência de se investigar o poder dos meios físicos prescritos pelo fisioterapeuta para o controle da dor neuropática. Exercício físico e acupuntura, por exemplo, são modalidades de tratamento em que múltiplos profissionais acabam prescrevendo e são usados regularmente para dor neuropática, mas não quer dizer que sejam os melhores meios de tratamento.

Agora, se a dor neuropática vier no pacote de outras síndromes dolorosas como a síndrome complexa de dor regional ou dor musculoesqueletica, ai teremos a fisioterapia feliz e funcionando (né). Temos o exemplo da imagética motora gradual com bons estudos, mas não necessariamente com efeito direto na dor neuropática.

Essa semana pude examinar uma senhora que há 2 anos fez uma lesão medular e me procurou pois queria fazer liberação miofascial. Recuperou mais de 60% de suas funções, mas tinha dor torácica em faixa na altura da lesão, com sinais e sintomas definidos de dor neuropática. Não tinha dor musculoesqueletica então não havia necessidade de realizar liberação miofascial, pois sua dor neuropática não iria melhorar. É bem provável que piorasse se a fizesse. E porque? Cutucar a cobra com vara curta quase lhe garante uma mordida. E lembre-se: cobra morde!

É muito importante conhecer os limites de cada tratamento prescrito. Fisioterapia não é tratamento, mas as prescrições de meios físicos sim. Por mais que existam efeitos positivos de alivio com o uso de TENS, acupuntura, outros meios elétricos e talvez até terapia manual, a lesão no sistema nervoso estará por lá, sempre lembrando que a balança estará sempre mais pesada de um lado. E este, é o lado do sistema bem sensível e potencialmente dolorido.

Se o paciente tem dor neuropática e você, fisioterapeuta, não abre mão de acompanhá-lo com foco no ganho de função, então busque integração com outros profissionais. Porque sozinho, caro CurtiDor científico, você irá patinar dolorosamente.

Com fisioterapia, sem meio físico na dor neuropática.

Artur Padão – Dorterapeuta

#dorterapeuta

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