A educação em dor é tratamento?

dor e educaRecentemente, a educação em dor aumentou seu recheio dentro das práticas regulares para o manejo da dor, com uma releitura mais moderna e uma nova receita de um biscoito que você gosta muito. Publicações científicas, livros, manuais, folhetos, apresentações no computador, aulas e “uma boa conversa de bar” já fazem parte da rotina do manejo da dor.

A ciência está de olhos abertos para a educação em dor, o que não significa que terá toda essa importância falada da boca para fora. Falar e fazer são eventos muito diferentes. E a ciência está meio que em cima do muro para a educação em dor. Os resultados dos estudos são variados, uns favoráveis outro nem tanto.

Minha principal crítica à educação em dor é transformar uma obrigação do profissional de saúde em tratamento, mensurando seus efeitos, por exemplo, no alivio da dor, melhora das funções, redução da ansiedade ou as luzes de natal dentro do cérebro. Daqui a pouco a empatia também vai ser tratamento.

Interessante observar que os estudos foram realizados em países que existe um bom nível educacional da população em geral e de formação do profissional de saúde. Não que o Brasil não tenha, mas não tem como comparar. O Brasil sempre sofreu com a “falta de educação” em todos os sentidos.

Quando dizemos que a educação em dor é tratamento, então assumimos que existe falta de educação ao paciente, o que lhe traz consequências desfavoráveis a sua vida. Isso não é verdade. Cada um entende o que sente dolorosamente de forma individual, e quem somos pra dizer que esta errado?

Qual a dose? Quanto tempo? Como mensurar o que se fala ou o que se lê? Qual tom de voz usar?  Olho no olho? Educação em dor é orientação! Além do que se vê. Não é tratamento!

Explicar o que acontece, porque dói, falar do que tem de ruim nos exames, dizer os efeitos do tratamento proposto a curto e longo prazo, usar metáforas, trocadilhos e associações para entrar na onda do paciente doloroso, ensinar a “cutucar a cobra com respeito”, falar dos benefícios e malefícios do repouso e mostrar uma foto do “cérebro doloroso” pegando fogo…Isso é tratamento? Não, isso é obrigação. Tratamento não é obrigação.

A educação é a alma do negócio…e da dor…mas, não é tratamento.

Artur Padão – Dorterapeuta

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