Crônicas dolorosas 23: “Eu sou a minha própria técnica”

dor e revolt

Nos últimos anos a ciência distribuiu uma série de “peladas robinho” em diversos tratamentos para a dor, variando desde remédios e modalidades da psicologia, tratamentos alternativos até os meios físicos e cirurgias.

A grande questão é saber o por que disso. Quais os interesses por trás de oferecer algo que cientificamente não funciona? Será isso justo a aqueles que recebem o tratamento? É claro que a razão científica tem vários conflitos de interesse com a razão clinica, onde a experiência do profissional é parte integrante deste processo.

Existem vários “maníacos do ultra som” espalhados por aí na forma de gurus, marqueteiros, charlatões, pseudo profissionais e gente mau caráter. Mas, tem os que simplesmente amam o que fazem, acreditam fortemente no poder de efeito de suas técnicas. Não necessariamente a ciência permeia essa rotina. Não necessariamente é a técnica em si que produz o efeito, é você mesmo!

“Eu sou a minha própria técnica” é uma clássica frase incorporada à aqueles que não abrem mão do que fazem, onde se observa que ciência e experiência pessoal andam em pé de guerra. Quando funciona é maravilho e quando não funciona a culpa é o paciente. Pois é…é sempre a técnica em primeiro lugar.

Mas, nenhuma delas tomou tanto “pescotapa” da ciência como o kinesio taping. Poder de efeito próximo ao placebo, não adiciona efeito a outras intervenções e por aí vai. Depois da queda o coice, já dizia o paralamas. Mas, mesmo assim, o kinesio taping prevalece com força na prática clínica, oferecendo milagres. É verdade. Eles ocorrem!

Mas, vamos ajudar os milhões de rolos de kinesio taping produzidos por diversas empresas mundo a fora. Além das tatuagens durante o carnaval (e todo carnaval tem seu fim) e proteção para cabos de celular, vamos pegar uma fita preta e colar na boca, em forma de protesto (não nu). Não podemos oferecer algo só porque achamos que é bom. Nossas crenças não podem dominar as nossas escolhas, alguma pitada de ciência tem de existir.

Fechar a boca, com kinesio taping, para as pseudo terapias vendidas como eficazes é necessário, como fitas, roupas, equipamentos, cadeiras, dedos pressionando a pele para resgatar memórias e por ai segue. Vamos colocar uma fita de kinesio taping para minimizar o discurso dos “maníacos do ultra som” e daqueles que são a sua própria técnica. Esses sim não querem ver se o que “pregam” funciona.

Você é o que você come? Eu sou a minha própria técnica! To fora!

Artur Padão – Dorterapeuta

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